Avaliação de Máquinas: o que a NBR 14653-5 exige em campo
Como é feita a avaliação de máquinas e equipamentos pela ABNT NBR 14653: finalidade, ficha de campo, fotos, estado de conservação e valor.
Por que a avaliação exige vistoria
Empresas precisam atribuir valor a máquinas e equipamentos para contratar seguro, oferecer garantia em operações de crédito, contabilizar o ativo imobilizado, vender ou encerrar uma unidade. Um preço de referência por fabricante, modelo e ano raramente é suficiente, porque equipamentos idênticos na origem chegam a valores diferentes conforme o regime de operação, as reformas e adaptações sofridas, o estado de conservação e a procura no mercado de usados.
A ABNT NBR 14653-5 trata da avaliação de máquinas, equipamentos, instalações e bens industriais em geral e complementa os procedimentos gerais da NBR 14653-1. [1] A DeltaP Engenharia realiza avaliações de acordo com essa norma, com vistoria individual de cada bem, ficha padronizada e registro fotográfico. Este artigo descreve como o trabalho é conduzido.
Finalidade, data de referência e tipo de valor
Antes da vistoria são definidos a finalidade da avaliação, a data de referência e o tipo de valor a determinar. Um mesmo equipamento pode ter valor de mercado em uso, valor de reposição e valor para venda em prazo curto, e cada um atende a uma necessidade.
As finalidades mais frequentes são:
- inventário e conciliação patrimonial;
- seguro, para definição do valor segurado e apuração de sinistros;
- garantia em operações de crédito e financiamento;
- compra, venda e leilão de máquinas usadas;
- reorganização societária, encerramento ou desmobilização de unidades;
- contabilização do ativo imobilizado e teste de recuperabilidade, conforme o CPC 27 e o CPC 01. [2] [3]
Dados levantados em campo
A ficha de vistoria da DeltaP reúne os dados de cada equipamento em seis blocos.
| Bloco | Conteúdo | Uso na avaliação |
|---|---|---|
| Identificação | Denominação, fabricante, modelo, número de série, ano, patrimônio e localização | Vincula o valor ao equipamento vistoriado |
| Características técnicas | Capacidade, produção e velocidade nominais e atuais, potência, dimensões e modificações | Estabelece a comparabilidade com bens de mercado |
| Condição operacional | Funcionamento, produção, horas de operação, regime e ambiente | Diferencia equipamentos iguais submetidos a regimes distintos |
| Estado de conservação | Estrutura, mecânica, transmissão, motores, painel e automação, item a item, com foto e localização das ocorrências | Principal fator de depreciação |
| Manutenção e histórico | Manutenções preventivas e corretivas, reformas, peças substituídas e adaptadas | Indica a vida útil consumida e o que foi reposto |
| Documentação | Notas fiscais, manuais, desenhos, registros de manutenção e laudos anteriores | Sustenta as informações do laudo e delimita as ressalvas |
Registro fotográfico e identificação
O registro fotográfico segue um roteiro fixo: vistas frontal, traseira e laterais, plaqueta de identificação legível, número de série, motor, painel elétrico, sistema de transmissão e componentes principais. Sistemas específicos do equipamento, como o de trama em um tear, são fotografados à parte.
A leitura da plaqueta é conferida com a relação de ativos fornecida pelo cliente. Divergências entre a relação e o que está gravado no equipamento são comuns em parques antigos e ficam registradas no laudo.
Situação de funcionamento
A situação de funcionamento é registrada conforme constatada na vistoria: em funcionamento, parado ou não observado. As informações prestadas pelo cliente sobre a operação são anotadas e identificadas como informação recebida. Equipamentos parados são avaliados no estado em que se encontram, e essa condição consta da conclusão.
Documentação disponível e ausente
Manual do fabricante, histórico de manutenção e notas fiscais nem sempre existem. A falta desses documentos não impede a avaliação, mas aumenta a incerteza do resultado e é declarada no laudo como ressalva.
Da vistoria à conclusão de valor
Concluída a vistoria, os dados são analisados em gabinete. A conclusão de valor considera:
- idade real e aparente e vida útil remanescente;
- obsolescência física, funcional e tecnológica;
- disponibilidade de peças e de assistência técnica;
- liquidez do equipamento no mercado de usados;
- valor de equipamento novo equivalente e de bens usados comparáveis, obtidos em pesquisa de mercado.
Os métodos utilizados são o comparativo direto de dados de mercado e o da quantificação de custo, com depreciação, escolhidos conforme os dados disponíveis e a finalidade. A norma prevê a classificação do laudo em graus de fundamentação e de precisão, que indicam o rigor dos dados e da metodologia empregados.
Experiência da DeltaP
Em trabalho recente, avaliamos 30 equipamentos industriais de um parque fabril têxtil em Santa Catarina, fabricados entre as décadas de 1960 e 1970 e fora de operação. Cada equipamento recebeu ficha individual. O levantamento reuniu 255 registros fotográficos classificados por finalidade (plaqueta, número de série, motor, transmissão e painel), com conferência das plaquetas em relação à lista de ativos do cliente. A padronização do levantamento permitiu avaliar o lote com critério uniforme.
Nota técnica: este artigo tem caráter informativo e não substitui a norma técnica nem o laudo de avaliação elaborado por profissional habilitado para um bem e uma finalidade específicos. Valores, métodos e graus de fundamentação dependem da finalidade, da data de referência, dos dados disponíveis e das ressalvas de cada laudo.
Referências
- ABNT NBR 14653-5: Avaliação de bens, Parte 5: Máquinas, equipamentos, instalações e bens industriais em geral
- CPC 27: Ativo Imobilizado
- CPC 01 (R1): Redução ao Valor Recuperável de Ativos
Veja também: Avaliação de Máquinas e Equipamentos Industriais.
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